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quarta-feira, 21 de março de 2018

Resenha - A História Do Amor De Fernando E Isaura/ Ariano Suassuna

A resenha de hoje foi produzida por Marciana Leandro Paz, uma amiga que aceitou o meu convite de resenhar um livro, acreditando na seriedade do trabalho que desenvolvo frente ao Blog Margem Literária com o objetivo de divulgar a minha criação literária e a literatura brasileira. 

Marciana se propôs a resenhar o livro "A História Do Amor De Fernando E Isaura" dando assim, a oportunidade de você leitor conhecer mais um excelente livro da nossa literatura.

SUASSUNA, Ariano. A história do amor de Fernando e Isaura. 10ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2013. 

Escritor Ariano Suassuna

SBN: 9788503012195
Ano: 2013
Edição: 10º
Páginas: 176

Assunto: Literatura nacional - romance
Editora: José Olympio
Resenhado por: Marciana Leandro Paz

SINOPSE DA COLUNISTA: É possível ter uma vida significativa sem usufruir do amor? Mas o que é o amor? Uma necessidade humana? Um sentimento capaz de trazer-nos felicidade? Capaz de provocar tristeza ou pesar, tragédia e dor? Um sentimento em que o que importa não é o que pensamos, mas o que sentimos? Estas e outras questões poderão ser respondidas a partir de uma leitura da obra “A História do Amor de Fernando e Isaura”, do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, escrita originalmente em 1956 e publicada somente em 1994, pela editora José Olympio. 

5º Resenha do 'Margem Literária'

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De origem humilde e de prodigioso talento, Ariano Vilar Suassuna, além de escritor e dramaturgo, foi poeta, ensaísta e professor. Publicou, entre outras obras, “O Auto da Compadecida”, adapta para a TV no ano de 1999, “O Romance d’a Pedra do Reino e “O Santo e a Porca”. Em 1946, ingressa na Faculdade de Direito do Recife, atual Universidade de Pernambuco. No ano seguinte, escreve sua primeira peça de teatro “Uma Mulher Vestida de Sol” e, com ela, recebe o Prêmio Nicolau Carlos Magno. Em 1950, forma-se em Direito e escreve “Auto de João da Cruz” cuja peça sucedeu o Prêmio Martins Pena. Tornou-se professor de Estética da UFPE em 1956. Em 1959, ao lado de Hermilo Borba Filho, funda o Teatro Popular do Nordeste. Em 1970 dá início ao Movimento Armorial, cujo foco fora de desenvolver as várias formas de expressões artísticas tradicionais e de tornar reconhecidas às raízes populares nordestinas. Graças a sua subjetividade, tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras em 1990, para a academia Pernambucana de Letras dois anos depois, e em 2000, para Academia Paraibana de Letras. 

Portanto, a obra a ser resenhada “A História do Amor de Fernando e Isaura” surgira graças ao amigo de Ariano Suassuna, Francisco Brennad, que propôs ao escritor uma versão de “O Romance de Tristão e Isolda”, de Joseph Bédier. É um romance curto constituído, evidentemente, por pequenos capítulos que nos remete, de imediato, ao cenário nordestino, cujo enredo se passa em uma pequena cidade do interior alagoano. Bastante comovente, a história oscila entre razão e emoção, além disso, é marcada por acontecimentos melancólicos e frustrantes. 

Tudo começa quando Fernando, um jovem órfão que fora morar na Fazenda São Joaquim ao lado de seu tio, Marcos Fonseca, logo após perder sua mãe, resolvera passar a noite em São Miguel dos Campos. Nesta localidade, acabara envolvendo-se em uma confusão para defender um rapaz que mal conhecia. Este acontecimento, por conseguinte, fora o marco inicial que o conduzira aos braços daquela, cujo destino o reservou. 

Passado algum tempo, seu tio Marcos, dono da Fazenda São Joaquim e de uma vida bem sucedida, confiante no sobrinho, decidira que ele faria uma viajem para representá-lo em seu casamento. Visto que surgiram alguns negócios relevantes, dos quais não poderia renunciar. Sem retrucar, Fernando embarcou no dia seguinte ao lado dos marinheiros. Durante o trajeto, sucedeu um imprevisto: um forte temporal atacou a embarcação, causando-lhe sérios estragos. Por sua vez, rumaram a um Povoado para reparar os danos. Lá, o rapaz conheceu uma moça, de nome Isaura, dotada de uma beleza incomum. Sabendo que partiria no próximo dia para receber a noiva do tio e que, possivelmente, não voltariam a se ver, os amantes passaram um longo tempo revelando seus próprios sentimentos. Ao cabo de alguns minutos, debaixo de um Jasmineiro, seus corpos desnudados se encontraram. Para a infelicidade dos dois, aquele momento colocou-os diante de uma situação que comprometeria para sempre suas vidas, cujo relacionamento, jamais desfeito por ambições ou vaidades, mesmo com os desgastes da juventude, com as dificuldades do cotidiano, fora reduzido a tragédia advinda da conduta alheia. Por conseguinte, o romance nos traz uma reflexão acerca da crueldade humana. Além disso, nos faz pensar a que ponto o ser humano é capaz de chegar por se deixar levar pela inveja ou pelos momentos de profunda cólera em que, depois de passada, somente o remorso permanece. 

Em contrapartida, o protagonista, Fernando, nos cativa com sua bondade e fidelidade de tal forma que a ideia que construímos dele é de um alguém incapaz de provocar qualquer maldade. Por sua vez, a reflexão que se tira da obra é a de que o amor não é algo arranjado, constituído de interesses particulares, mas emerge de atos, palavras, ações, ou até mesmo de olhares, algo que transcende os limites da razão. 

De linguagem clara e de amplo entendimento, a leitura é indicada para o público infanto-juvenil que, de alguma forma, tenha interesse em conhecer uma obra a qual aborda questões relativas ao amor e a crueldade humana. Bem como para aqueles que desejam cultivar suas raízes, que é exatamente o que Ariano Suassuna faz. O que mais impressiona na história é a criatividade do autor ao fazer uma versão de “O Romance de Tristão e Isolda” adaptada a realidade nordestina. 

ATENÇÃO: Comprar este e outros livros do escritor Ariano Suassuna.



Meus agradecimentos a Marciana por nos prestigiar com essa maravilhosa resenha, certamente se você ainda não leu o livro A História Do Amor De Fernando E Isaura do saudoso Ariano Suassuna ficará motivado a ler, e se você já o leu, esta resenha te fez lembrar o quanto foi prazerosa a leitura.


Espero que tenhamos mais resenhas de Marciana e que essa parceria seja duradora, a final de conta, todos nós é que sai ganhando. 



Você gostou da resenha? Então compartilhe com um(a) amigo(a) que gosta de literatura. 


Conheça um pouco mais da colunista Marciana Leandro Paz. 


Foto de Marciana Paz



Marciana Leandro Paz, cursa o 5º período de Letras/Português e suas Literaturas pela Universidade de Pernambuco/Campus Garanhuns. Atuou como monitora do curso de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) para iniciantes, promovido pelo Instituto de Ciências Biológicas ICB/UPE, com apoio do NIACLibras – Núcleo de Inclusão e Acessibilidade do Programa Ciranda Auditiva. 
Contato de E-mail: marcianapaz18@gmail.com

sábado, 3 de março de 2018

Poesia - Palavras Necessárias/ Samuel Tenório


Oculto o que sinto com facilidade
Um mal que trás infelicidade,
Mas, sou livre, não tenho falsidade.
Uns passos negados da fria decisão
A distância faz sons desconhecidos
Das vozes familiarizadas, um pedido,
Ensaiado que não veio. Ficou perdido
No tempo de 60 dias intermináveis;
Restou recordar os fatos memoráveis.

Um prazo para o alto-conhecimento
No fim do mais forte suspiro,
O clarão no céu anunciou o novo dia.
Entre olhares duvidosos o sofrimento
Espaço não encontrado entre todos,
Apego ao mundo da fantasia
Esperança ao último ato duvidoso
Difícil desfaçar avista do curioso
Palavras ditas em particulares.

Distraio a mente com o mais fútil
As ressequidas lágrimas a transbordar
No manto do descanso útil.
Noites estendidas teima a acordar
O corpo precário para o descanso
Pensamentos variados ao alcanço
De um salto de grilo em seu cântico
Multiplicado para a sua freguesia
E o final? Eu escrevo essa poesia.

03 de março de 2018
Escritor Samuel Tenório



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Poesia - O Meu Eu Mais Próximo/ Samuel Tenório



Tenho a imagem destorcida
Da minha marca aparência.
Rosto que não se nota a experiência
Por a pouca e aparente idade.

Hoje, eu sou tão velhinho,
Me apego nas sumárias lembranças
Olhando o espelho noto as mudanças
Que o tempo deixou em minha face.

O silêncio para mim tem um preço
Antes ele não valia nada.
Certeiro e ativo na caminhada
Meu erro, não reparar em ninguém.

Desfiz relações num estralo de dedo,
Acolhido na imensidão da eternidade
Ordinária vida que compõe a infinidade
Sempre me presenteou com o mais.

Deixei para outro dia falar que amava
Todavia o prolongado momento
Nunca chegava, causou sofrimento,
Tempo largo, a cura é ser jovem.

Assisto o peso das não escolhas
Pago em lágrimas os arrependimentos
Evitei conselhos de ensinamentos
De quem realmente queriam o meu bem.

Valorizei os errados para se aventurar.
Deixar fluir a eminente adrenalina
Era como correr ao topo de uma colina
Rápido sem nenhum descanso do corpo.

Acomodava nos discursos dos tolos
Afinal, eu tinha nas mãos o poder jovial,
O banal tinha status de sensacional
E valia muito apena as temeridades.

A poeira se faz com a marca dos passos
Conduzido pela mão do criador
Desviar do caminho se faz em dor
Tudo é válido, em querer o dito melhor.

Abro os olhos e acordo do pesadelo,
Do futuro que estou projetando.
Claramente estava cativando
Os passos mais errados da vida. 

Tenho sorte de recuperar tudo;
Dar um forte abraço em um amigo,
Livrar-se do temeroso castigo,
Enxergar o brilho do céu.

Declarar o que antes não tinha sentido,
Viver com mais e mais tenacidade,
Pagar o preço pela liberdade,
Ser criança, ser jovem, ser eu mesmo.

03 de março de 2018
Escritor Samuel Tenório

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